2005 · United Kingdom
Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos, sendo difícil até mesmo falar em um sem se lembrar do outro. Eles ganham a vida fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo do Dany Boy, um barco a vapor que compraram em parceria. Um dia surge Karinna (Alice Braga), uma stripper que deseja arranjar um gringo endinheirado no carnaval de Salvador a quem a dupla dá uma carona. Após descarregarem em Cachoeira, Deco e Naldinho vão até uma rinha de galos. Naldinho apos…
Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) se conhecem desde garotos, sendo difícil até mesmo falar em um sem se lembrar do outro. Eles ganham a vida fazendo fretes e aplicando pequenos golpes a bordo do Dany Boy, um barco a vapor que compraram em parceria. Um dia surge Karinna (Alice Braga), uma stripper que deseja arranjar um gringo endinheirado no carnaval de Salvador a quem a dupla dá uma carona. Após descarregarem em Cachoeira, Deco e Naldinho vão até uma rinha de galos. Naldinho aposta o dinheiro ganho com o frete, mas se envolve em confusão e termina recebendo uma facada. Deco defende o amigo e ataca o agressor, mas os dois são obrigados a fugir no barco, rumo a Salvador. Enquanto Naldinho se recupera, Deco tenta conseguir dinheiro para ajudar o amigo. Ao chegarem em Salvador a dupla reencontra Karinna, que está agora trabalhando em uma boate. Aos poucos a atração entre eles cresce, criando a possibilidade de que levem uma vida a três.









Cidade Baixa é um filme de drama brasileiro de 2005 dirigido por Sérgio Machado e estrelado por Alice Braga, Lázaro Ramos e Wagner Moura. O roteiro de Machado e Karim Aïnouz foi concebido para retratar a realidade das classes sociais mais pobres e sua sobrevivência. O filme foi distribuído nos mercados internacionais como Lower City. A trama é ambientada na Cidade Baixa de Salvador e acompanha dois melhores amigos que dividem um barco e têm sua rotina alterada com a chegada de uma jovem stripper, por quem ambos se apaixonam e entram em conflito. Sua estreia no Festival de Cannes aconteceu em 16 de maio de 2005, tendo sido exibido na mostra Un Certain Regard, onde foi elogiado pela crítica e recebeu o Prêmio da Juventude, concedido pelo Ministério da Juventude da França. Posteriormente, foi selecionado para outros festivais de cinema ao redor do mundo e no Brasil. O filme foi recebido com avaliações mistas e favoráveis pela crítica especializada, sendo considerado como uma obra sobre uma "história familiar de um triângulo amoroso tenso oscila entre brutalidade e sexo ardente". Cidade Baixa foi lançado oficialmente nos cinemas do Brasil em 4 de novembro de 2005 pela Lumière Pictures. O filme tornou-se o 11.° título brasileiro mais assistido de 2005 superando a marca de cem mil espectadores ao longo de sua exibição nas salas de cinema. Foi considerado um sucesso moderado de bilheteria com pouco mais de R$ 1 milhão gerados em receita.
A trama acompanha Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura), amigos inseparáveis desde a infância, que sobrevivem realizando fretes marítimos e pequenos golpes a bordo do barco Dany Boy. A rotina dos dois muda quando conhecem Karinna (Alice Braga), uma jovem stripper que sonha encontrar uma oportunidade de mudar de vida durante o Carnaval. Após uma confusão em uma rinha de galos deixar Naldinho gravemente ferido, os três fogem juntos rumo a Salvador. Durante a recuperação do amigo, Deco se aproxima cada vez mais de Karinna, e a atração entre eles passa a ameaçar a forte amizade que unia a dupla. O envolvimento amoroso cria tensões, ciúmes e conflitos que colocam à prova os laços construídos ao longo de anos. Mais do que uma história de amor, o filme oferece um retrato cru e realista da Cidade Baixa, expondo o cotidiano de personagens marcados pela pobreza, pela prostituição, pelas drogas e pela violência. Ao acompanhar a trajetória de Deco, Naldinho e Karinna, a obra revela as contradições, os desejos e as dificuldades de quem vive à margem, em um ambiente onde afeto, sobrevivência e sonho se misturam constantemente.
Cidade Baixa é o segundo longa-metragem dirigido por Sérgio Machado e marca sua estreia na ficção, após o documentário Onde a Terra Acaba (2001). O título faz referência à região da Cidade Baixa, área histórica de Salvador onde a narrativa se desenrola. Antes de assumir a direção de seu primeiro filme de ficção, Machado atuou como assistente de direção em diversas produções, entre elas o premiado Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles. Foi justamente Salles quem o incentivou a realizar seu próprio longa de ficção. Em entrevista à BBC Brasil, Machado relatou que chegou a cogitar acompanhar o diretor na produção de Diários de Motocicleta, mas foi encorajado a seguir um caminho próprio: “Ele me disse que achava que eu estava mais do que pronto para fazer meu filme. Walter sempre foi muito generoso; de alguma maneira, ele me preparou para o meu filme”. A concepção de Cidade Baixa partiu do desejo de retratar o cotidiano das camadas populares brasileiras e suas estratégias de sobrevivência, tendo como eixo central as relações afetivas e amorosas. Para desenvolver o roteiro, escrito em parceria com Karim Aïnouz, Machado passou cerca de três meses convivendo com moradores da região retratada no filme, ouvindo suas histórias e experiências. Segundo o diretor, essa imersão permitiu que construísse laços genuínos com muitas dessas pessoas, a quem considera “verdadeiros amigos”.
A preparação do elenco ficou a cargo de Fátima Toledo, reconhecida por seu trabalho de construção e aprofundamento de personagens. O filme também marca mais uma parceria entre Lázaro Ramos e Wagner Moura, atores que ganharam projeção a partir de uma mesma montagem teatral e que voltariam a contracenar em outras produções ao longo de suas carreiras. Sobre o processo conduzido por Toledo, Wagner Moura destacou a intensidade da experiência em entrevista à BBC Brasil. Segundo o ator, o trabalho envolveu momentos de grande entrega emocional e transformação pessoal, tornando-se uma vivência marcante para todo o elenco. Em suas palavras: “É uma experiência que guarda0mos para o resto da vida. É difícil descrever o que aconteceu porque chegamos a ter momentos muito sublimes, dolorosos. Choramos muito, nos abraçamos muito, nos amamos, brigamos muito. É difícil definir o que foi o processo”.
Cidade Baixa teve sua estreia mundial em 16 de maio de 2005, como parte da mostra paralela Um Certo Olhar (Un Certain Regard) do 58.° Festival de Cannes, onde ganhou o Prêmio da Juventude concedido pelo Ministério da Juventude da França. O filme foi exibido oficialmente pela primeira vez no Brasil em 27 de setembro de 2005 durante o Festival do Rio e, posteriormente, foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Cidade Baixa estreou em 4 de novembro de 2005 nos cinemas brasileiros com distribuição da Lumière Pictures, sendo precedido por uma semana de pré-estreia. O filme foi distribuído nos mercados internacionais, sendo exibido em países como Rússia, Bélgica e Grécia. No Reino Unido, o filme teve sua estreia em 2 de dezembro de 2005 e recebeu elogios da imprensa local, que o descreveu como "apaixonante". Em dezembro de 2005, o filme alcançou a marca de 100 mil espectadores nos cinemas, tornando-se o 11.° filme brasileiro mais assistido em 2005. De acordo com dados da Ancine, ao longo de sua exibição comercial, Cidade Baixa foi assistido por 128.134 espectadores e gerou uma receita de R$ 1.021.626,00 em bilheteria.
Cidade Baixa foi recebido positivamente após sua estreia em Cannes. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme possui uma taxa de aprovação de 60% com base em 55 avaliações, com uma nota média de 6,4/10. O consenso dos críticos do site diz: "Essa história familiar de um triângulo amoroso tenso oscila entre brutalidade e sexo ardente". No Metacritic, que atribui uma pontuação normalizada de 0 a 100, o filme obteve uma média de 61, baseada em 20 críticas, indicando avaliação "geralmente favorável". Deborah Young, da Variety, que a "principal qualidade como diretor [de Sérgio Machado] reside em extrair atuações intensas dos atores, que transbordam paixão sexual e fúria. [Lázaro] Ramos, que começa a praticar boxe no meio do filme, é particularmente convincente como uma panela de pressão de emoções reprimidas, enquanto [Wagner] Moura se sai bem no confronto final. [Alice] Braga, em seu primeiro grande papel no cinema, possui um corpo belíssimo e a capacidade de transmitir parte da intensidade erótica que fez de sua tia, Sônia Braga, uma estrela. Seu sensual striptease sob luz estroboscópica se destaca em um filme repleto de cenas quentes". Tom Dawson, para a BBC, escreveu que o diretor "subverte habilmente as expectativas do público e se recusa a fazer julgamentos morais sobre o comportamento do trio, optando, em vez disso, por revelar sua vulnerabilidade interior e celebrar sua capacidade de sobrevivência desafiadora". Peter Bradshaw, do The Guardian, escreveu: "Os três protagonistas entregam atuações corajosas e intuitivas; eles emanam uma energia de pura necessidade sexual, e a câmera de Machado a absorve completamente". Marcelo Hessel, do Omelete, classificou o filme com 5/5 e descreveu-o como "Excelente". Hessel escreveu que "trata-se do tipo de filme em que tudo funciona em sintonia, desde o apego ao roteiro até a direção de fotografia firme. Mas mesmo com todo o altíssimo cálculo e cuidado, o que fica é a invenção do momento, aquele diálogo ou toque ou troca de olhares imprevistos, aquela tomada espirituosa que os atores não conseguiriam repetir uma segunda vez". Cássio Starling Carlos, da Folha de S.Paulo, pontuou: "Sem almejar uma indicação ao Oscar nem arrastar multidões ao cinema, Cidade Baixa representa aquilo que deve ser essencial na busca de uma cinematografia sólida: um ponto de vista assumido, a recusa do clichê, uma capacidade de traduzir idéias e emoções sem precisar mimetizar soluções alheias, enfim, um modo de expressão capaz de ser admirado pelo próprio país e pelo mundo". O consenso crítico do website Cinema com Rapadura publicou uma resenha desfavorável ao filme, dizendo que, "apesar das sempre ótimas interpretações de Lázaro Ramos e Wagner Moura, Cidade Baixa é um filme que deixa a desejar, contendo diversos buracos no roteiro e apelando excessivamente para as cenas de sexo".
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